
Raquel destaca a importância de desenvolver atividades que estimule a aprendizado do estudante
No Fórum Sesc de Educação, especialistas mostraram que a capacidade do professor de criar estratégias que façam sentido para cada estudante, torna a aprendizagem mais significativa
Como promover uma aprendizagem significativa para os estudantes? Seja por meio da avaliação baseada em evidências, do brincar como linguagem da infância ou da recomposição das aprendizagens, especialistas defendem que o centro do processo educativo não está na metodologia ou na tecnologia utilizada, mas na forma como o professor compreende seus alunos e cria oportunidades para que aprendam.
Na Educação 5.0 — ou em qualquer outra abordagem pedagógica — a aprendizagem acontece quando o educador identifica como o estudante constrói conhecimento e utiliza estratégias que façam sentido para esse processo. Foi esse o destaque da especialista em políticas educacionais, avaliação, gestão da aprendizagem e impacto social, Raquel de Oliveira, durante a palestra “Avaliação para Aprendizagem na Educação 5.0: Como transformar evidências em desenvolvimento de estudantes e educadores”, realizada no Fórum Sesc de Educação.
Para Raquel de Oliveira, isso significa abandonar uma visão de avaliação limitada à atribuição de notas e enxergá-la como parte do próprio processo de ensinar.
“A avaliação pode medir, mas precisa, sobretudo, compreender. Quando fecha a conversa, a nota chega sem devolutiva, a dificuldade vira rótulo e o professor fica sozinho. Quando abre caminho, a evidência vira hipótese, a equipe aprende junto”, pontua Raquel.
Segundo a especialista, a avaliação precisa gerar diálogo e apoiar professores e estudantes na construção de novos caminhos de aprendizagem, e não apenas registrar um resultado final.
Existem diferentes formas de despertar o conhecimento e ensinar. A pedagoga, neuropedagoga e especialista em Serviços Educacionais SM, Teresa Coelho, defendeu em sua palestra “O brincar que ensina o mundo: quando o lúdico se torna conhecimento” que a brincadeira é a linguagem da infância.
“Brincar é uma condição humana. Não é uma intencionalidade pedagógica, não é uma metodologia, nem uma sequência didática. A criança é brincante“, destacou Teresa.
Para a especialista, compreender essa linguagem é fundamental para que o professor consiga compartilhar conhecimento.
“Eu, como professora, tenho que usar a linguagem da criança para impactá-la com aquilo que considero necessário que ela aprenda. E ela só vai aprender brincando“, explicou Teresa.
Segundo a especialista, é o processo vivido durante a brincadeira, e não apenas o resultado da atividade, que produz aprendizagem. E mostrou como conteúdos de leitura, escrita e outras habilidades podem ser incorporados às brincadeiras, permitindo que a criança experimente, explore e construa conhecimento de maneira ativa.
O professor como agente de transformação
As palestras reforçaram princípios presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais, a autonomia, a criatividade, a colaboração e o protagonismo dos estudantes. Em todas as abordagens, o foco deixa de ser apenas o conteúdo e passa a ser a experiência de aprendizagem.
Esse compromisso também passa pela disposição do educador em transformar sua própria prática. Na palestra “Recomposição de aprendizagens: Desenvolvendo habilidades a partir das evidências de aprendizagens”, Eva Rodrigues destacou que a Educação 5.0 representa um novo avanço na evolução da escola, mas que esse movimento ainda precisa chegar ao cotidiano das salas de aula.
“Caminhamos muito na teoria, e isso não é ruim. O que está faltando é caminhar também na prática. Eu sou professora, preciso estudar sobre isso. Como vou lançar mão de uma estratégia mais significativa para o meu aluno se nem sei o que ela é?“, frisou Eva.
A especialista frisou a transformação depende da escolha do professor em criar experiências que conectem o conteúdo à realidade dos estudantes.
“Eu preciso levar meus alunos para uma aula no ambiente externo da escola, para que eles vejam o que está acontecendo e como isso dialoga com a página do livro. Eu tenho essa escolha. E há uma maioria esmagadora de professores que escolhe ficar na sala“, destacou Eva.
Se para Raquel as evidências ajudam o professor a compreender onde o estudante está e quais intervenções são necessárias, para Teresa o brincar revela como a criança aprende e oferece o caminho mais natural para desenvolver novos conhecimentos. Já Eva reforça que nenhuma dessas possibilidades se concretiza sem um professor disposto a aprender continuamente e transformar sua prática.
Ao reunir essas diferentes perspectivas, o Fórum Sesc de Educação reforçou uma das principais mensagens da Educação 5.0: mais do que acompanhar as transformações tecnológicas, educar é construir relações, reconhecer as diferentes formas de aprender e promover experiências que façam sentido para o desenvolvimento integral dos estudantes.
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