
Professora, doutora, escritora e vencedora do Prêmio Jabuti 2024 compartilha experiências da Escola Maria Felipa e apresenta caminhos para incorporar a equidade racial ao cotidiano escolar
A Educação 5.0 propõe uma formação que integra inovação, tecnologia e desenvolvimento humano. Nesse contexto, a educação antirracista ganha espaço como uma estratégia para construir escolas mais inclusivas, acolhedoras e comprometidas com a formação integral dos estudantes. O tema foi abordado pela professora, doutora, escritora e pesquisadora Bárbara Carine durante o Fórum Sesc de Educação, realizado nesta terça-feira (14).
Vencedora do Prêmio Jabuti 2024, na categoria Educação, com a obra Como ser um educador antirracista, e fundadora da Escola Maria Felipa, primeira instituição de ensino afro-brasileira registrada em uma Secretaria de Educação no país, Bárbara compartilhou experiências que demonstram como a equidade pode ser incorporada às práticas pedagógicas e ao ambiente escolar.
“Como eu digo no meu livro Como Ser Um Educador Antirracista, representatividade é sobre autoprojeção positiva. Onde a gente não se vê, a gente não pensa, não se projeta. Se você, educador, não promove a autoprojeção positiva dos seus estudantes, eles não vão se projetar nos espaços de poder”, afirma.
Educação antirracista como prática permanente
Ao longo da palestra, Bárbara destacou que a educação antirracista dialoga diretamente com os princípios da Educação 5.0 ao colocar as relações humanas, a valorização das diferenças e o desenvolvimento integral dos estudantes no centro do processo educativo.
Segundo a pesquisadora, esse trabalho exige investimento contínuo na formação dos profissionais da educação, valorização docente e revisão das práticas pedagógicas e curriculares.
“Descolonizar o currículo é importante. A gestão precisa rever esse currículo eurocêntrico e pluralizar, investir na formação de professores e disponibilizar literaturas plurais para as instituições educacionais. Ou a educação é antirracista, ou não é educação”, frisou Bárbara.
A mudança começa no projeto pedagógico
Mais do que promover ações em datas comemorativas, a educação antirracista precisa fazer parte do projeto político-pedagógico das instituições de ensino. Isso envolve revisar materiais didáticos, ampliar referências culturais, fortalecer a formação continuada dos educadores e incorporar a diversidade de forma permanente ao processo de ensino e aprendizagem.
Além disso, é fundamental que as escolas ofereçam materiais que contribuam para a construção de uma identidade positiva entre os estudantes. “É fundamental selecionar literaturas e materiais paradidáticos que abordem a temática de forma leve e pedagógica, priorizando obras que humanizem a criança negra”, destaca a pesquisadora.

Experiências que ampliam repertórios
Durante a palestra, Bárbara apresentou experiências desenvolvidas na Escola Maria Felipa, que incorpora ao cotidiano escolar referências afro-brasileiras e indígenas por meio da valorização de diferentes matrizes culturais, da inclusão de autores negros e indígenas no currículo, da formação continuada de professores e da realização de projetos que articulam educação, arte, ciência e tecnologia.
Segundo ela, a proposta amplia os repertórios culturais dos estudantes e fortalece uma aprendizagem conectada à diversidade da sociedade brasileira.
“Na Escola Maria Felipa, o enfrentamento ao racismo ocorre de maneira sutil e eficaz, muitas vezes sem a necessidade de mencionar o termo diretamente. Nosso trabalho concentra-se na apresentação de reinos, personalidades negras e na valorização dessas potências por meio de iniciativas como feiras de ciências africanas e semanas dedicadas às artes negras e indígenas. A gente vai apresentando potência para essas crianças, e elas vão se nutrindo disso e ficando fortalecidas”, pontua Bárbara.
As experiências apresentadas dialogam com as reflexões desenvolvidas em Como ser um educador antirracista, obra vencedora do Prêmio Jabuti 2024. No livro, a autora propõe que educadores revisitem suas práticas, reconheçam os impactos do racismo estrutural no ambiente escolar e adotem estratégias pedagógicas voltadas à promoção da equidade.
Ao conversar com professores, pedagogos e gestores durante o Fórum Sesc de Educação, Bárbara Carine reforçou que a inovação educacional vai além da incorporação de novas tecnologias. Para a pesquisadora, formar cidadãos críticos, conscientes e preparados para conviver com as diferenças é parte essencial desse processo.
Nesse cenário, a educação antirracista se apresenta como um caminho para fortalecer práticas pedagógicas mais inclusivas e contribuir para a construção de uma escola comprometida com a transformação social.
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