
Humana, conectada e sustentável. O debate sobre a Educação 5.0 marcou o segundo dia do Fórum Sesc de Educação, na palestra conduzida pela professora Débora Garofallo, eleita a professora mais influente da atualidade pelo prêmio Global Teacher Influencer of the Year (2026).
A palestra apresentou os desafios e os caminhos para a implementação prática desse conceito, mostrando que a tecnologia e a inovação só geram resultados reais quando estão conectadas à realidade dos alunos.
Criadora da premiada metodologia “Robótica com Sucata”, Débora promoveu a inovação para solucionar problemas reais de estudantes em uma escola na periferia de São Paulo, que sofria com o acúmulo de lixo eletrônico e materiais descartados. Para ela, o aprendizado só acontece quando faz sentido para o estudante.
“O que é a Educação 5.0? Como fazemos isso de maneira prática e sustentável? Primeiro, estamos falando de uma educação que olha para o indivíduo de forma integral, trabalhando habilidades e competências. Vamos acolher o erro e trabalhar a resolução de problemas, a colaboração e a empatia”, defendeu a professora.
Mais do que ter um propósito, a Educação 5.0 precisa responder aos desafios estruturais e sociais do país. Segundo dados do Censo escolar do INEP apresentados pela palestrante, a conectividade já chegou a 96% das escolas brasileiras. Apesar disso, 43% das escolas públicas não possuem equipamentos para os alunos.
Entre as barreiras que mais pesam no dia a dia das escolas estão a desigualdade no acesso à infraestrutura, a evasão escolar, o desengajamento dos alunos e a constante pressão por resultados sem que haja condições adequadas de trabalho. O reflexo disso é a desmotivadora sensação de que “inovar é um privilégio de poucos”.
A palestrante destacou que a solução nem sempre exige tecnologias de ponta. Ela defende, inclusive, a aplicação do pensamento computacional no cotidiano escolar para resolver problemas complexos. Na prática, essa abordagem se divide em quatro pilares fundamentais:
– Decomposição: dividir um grande problema em partes menores e mais gerenciáveis.
– Reconhecimento de Padrões: identificar semelhanças e repetições que ajudam na resolução.
– Abstração: focar no que é essencial e ignorar detalhes irrelevantes no momento. Algoritmos: criar uma sequência lógica de etapas para resolver o desafio.
Diante de um auditório lotado de professores, gestores, diretores escolares e pedagogos, Débora enfatizou a importância do engajamento coletivo. Segundo ela, as decisões educacionais nunca são isoladas; elas sempre reverberam em todo o sistema.
“Quem acredita que o professor, sozinho, garante a aprendizagem? O sucesso depende de um conjunto de fatores: o estudante, a família, a gestão, as políticas públicas, a tecnologia e a saúde emocional de todos”.
Ela concluiu com uma reflexão poderosa sobre a responsabilidade compartilhada:
“Educação não é a soma de partes isoladas. É um ecossistema. Não precisamos de heróis; precisamos de conexões intencionais. Muitas vezes, a sociedade cobra a escola e os professores de forma isolada, esquecendo-se de que todos fazemos parte de um ecossistema muito maior”.

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