Sesc Espiríto Santo

Lideranças culturais participam da abertura da exposição “Você Já Escutou a Terra?” durante a 6ª Teia Nacional no Sesc Praia Formosa

Mostra imersiva reforça a cultura como ferramenta de diálogo em torno da justiça climática 

Abertura da exposição na Teia Nacional reuniu lideranças de todo o país

 

A abertura da exposição imersiva “Você Já Escutou a Terra?” marcou a programação desta quinta-feira (21) da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada no Sesc Praia Formosa, em Aracruz. Desenvolvida pelo Museu da Pessoa em parceria com o Sistema Fecomércio-ES, por meio do Sesc Espírito Santo, a mostra convida o público a refletir sobre justiça climática a partir de histórias, memórias e diferentes formas de relação com a natureza, reafirmando a cultura como instrumento de sensibilização e transformação social.

Lideranças do Sesc-ES e de instituições ligadas à cultura, à memória e aos povos originários, reforçaram a relevância da exposição dentro do debate sobre justiça climática. Por meio de relatos, memórias e narrativas de povos e territórios, a mostra amplia a compreensão de que a crise climática ultrapassa as questões ambientais e envolve dimensões sociais, culturais e humanas.

“A ‘Você Já Escutou a Terra?’ nasceu de um diálogo e encerra uma programação chamada “Vozes e Saberes: o Mundo em Chamas”, cuja curadoria é de Ailton Krenak. Construída a partir do conceito de biocentrismo, propõe uma reflexão sobre a necessidade de deslocar o ser humano do centro das atenções e reconhecer a conexão entre todas as formas de vida, os territórios e as memórias que compartilhamos”, destaca a diretora do Museu da Pessoa e curadora da exposição, Karen Worcman.

De acordo com a curadora, a reflexão se materializa em uma grande instalação inspirada na crosta terrestre, produzida a partir de resíduos coletados e tecidos por mais de 200 mulheres vítimas de violência doméstica, convidando o público a repensar sua relação com o planeta e com os outros seres que o habitam.

Localizado em uma região marcada pela presença da Mata Atlântica, de ecossistemas costeiros e território indígena dos povos Tupiniquim e Guarani, o Sesc Praia Formosa oferece um ambiente que potencializa as reflexões propostas pela mostra e fortalece o diálogo entre pertencimento e preservação ambiental. E, pela primeira vez, a unidade recebe uma exposição deste porte. 

“É importante compartilhar essa satisfação de ver a cultura ocupando este espaço. O Sesc Praia Formosa é uma unidade hoteleira que existe há 30 anos e, pela primeira vez, recebe uma programação cultural desta dimensão. Essa parceria não se resume a uma exposição de artes visuais. Ela faz parte de um projeto muito maior, que estamos desenvolvendo há quase dois anos, com o objetivo de levar a programação cultural do Sesc Espírito Santo para todos os 11 municípios onde a instituição possui unidades físicas”, destaca o diretor de Programas Sociais do Sesc-ES, Rômulo Gomes.

Ao escolher o Sesc Praia Formosa como espaço de realização da 6ª Teia Nacional, a exposição também evidencia o papel da instituição como articuladora de experiências que conectam cultura, educação e desenvolvimento sustentável. A proposta é estimular o público a reconhecer a importância dos territórios e das comunidades na construção de respostas para os desafios climáticos contemporâneos.

“Esse grandioso evento sela e celebra essa união e esforços em torno da cultura e das artes entre o Sesc e o Governo do Estado. O Sesc tem um trabalho em todo território capixaba, uma atuação firme junto as expressões das artes, e a teia é o encontro da cultura brasileira, pela primeira vez acontece fora de uma capital, aqui em Aracruz, e o Sesc Praia Formosa foi essencial nessa decisão, de trazer esse evento, junto com o Ministério da Cultura, linkando esse espaço junto às comunidade indígenas que se integram na programação”, pontua o Secretário de Cultura do Espírito Santo, Fabrício Noronha. 

Lideranças da cultura destacam a importância da Teia e da exposição

“Além de discutir política pública, ao reunir os pontos e pontões de cultura, de memória de todo o país, também traz eventos culturais como a exposição que fala sobre justiça climática. A arte é capaz de falar sobre qualquer assunto, cultura também e educação e aqui, realizando a teia da cultura em Aracruz, em praia Formosa, a gente também mostra que a cultura está em todo lugar”, destaca a presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fernanda Castro.

“Por que escutar a terra? Porque a crise climática impacta todos nós, independentemente de raça, cor ou cultura. Os povos indígenas carregam conhecimentos ancestrais que nos ensinam a compreender o território como parte da nossa própria existência. Escutar a terra é também escutar as histórias, as memórias e os saberes que podem nos ajudar a construir respostas coletivas para os desafios climáticos que afetam toda a sociedade”, frisou a diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Juliana Tupinambá.

Apresentação valoriza tradições e memórias indígenas

A programação contou ainda com o Coral Kuara’y Retxakã, formado por integrantes da Aldeia Tekoá Mirim, em Aracruz. A apresentação reforçou a valorização dos saberes indígenas e o diálogo entre cultura, território e justiça climática proposto pelo evento.

Reconhecido como uma importante expressão cultural do povo Guarani, o grupo preserva e transmite, por meio da música, cantos ancestrais que atravessam gerações e expressam a espiritualidade, a memória coletiva, os ensinamentos tradicionais e a relação dos povos originários com a natureza.

Conheça um pouco mais sobre a exposição

A exposição é composta por quatro módulos que convidam à escuta e à sensibilização. Na Cabine Manto, os visitantes respondem à pergunta “Você Já Escutou a Terra?”, transformando experiências individuais em reflexão coletiva. Em O Manto, uma grande instalação produzida com resíduos e tecidos de diferentes regiões do Brasil simboliza interdependência, reaproveitamento e conexão entre pessoas e territórios.

Já em Rios de Memória, narrativas registradas nos seis biomas brasileiros apresentam histórias de resistência, pertencimento e modos de vida ligados à preservação ambiental. O percurso se completa com Fala Museu, espaço que revela o processo de escuta e registro dessas histórias, destacando a memória e a cultura como ferramentas de mobilização social.

Com instalações interativas, registros audiovisuais e histórias coletadas em diferentes regiões do país, a mostra valoriza saberes populares, memórias coletivas e experiências de resistência, reforçando a cultura como ferramenta de conscientização e mobilização social diante da emergência climática.

Interiorização da Cultura pelo Sesc

Assim como Praia Formosa é um território importante, localizado em Aracruz, o Sesc também está levando programação cultural para outros municípios capixabas, como Guarapari, Domingos Martins, Cariacica, Baixo Guandu, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, São Mateus, e outros.

“Trata-se de uma agenda ampla, que não contempla apenas as artes visuais, mas também literatura, bibliotecas, cinema, memória e patrimônio, contação de histórias e múltiplas linguagens artísticas. Essa iniciativa dialoga diretamente com os princípios da Política Cultura Viva. Há 80 anos, o Sesc acredita que a cultura não é algo que se leva para um território. A cultura emerge dos territórios, das pessoas que neles vivem e das manifestações culturais que constroem seu pertencimento”, ressalta Rômulo Gomes.

Por isso, esse trabalho em rede, realizado em parceria com o Governo do Estado, a Secretaria da Cultura e também com o apoio do Ministério da Cultura, é fundamental. Trabalhar de forma colaborativa é uma metodologia na qual acreditamos profundamente.

Teia Nacional

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura pela Justiça Climática. O evento é promovido pelo Ministério da Cultura e reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras, gestores públicos e a sociedade civil em 6 dias de programação, incluindo fóruns, painéis, atividades culturais, vivências no território e diversos serviços do Sesc Espírito Santo.

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