Sesc Espiríto Santo

Fórum Sesc de Educação debate uso de tecnologias em palestras com Sônia Meriguete, Lucas Lopez e Thiago Batista

Palestras discutem o papel ético da tecnologia, o uso da Plataforma Sab.IA e o aprendizado prático nos espaços maker

O uso intencional, ético e prático da tecnologia foi o fio condutor de uma série de palestras que mobilizaram o público no Fórum Sesc de Educação. Em atividades voltadas para diferentes públicos, os palestrantes Sônia Meriguete, Lucas Lopez e Thiago Batista discutiram uma temática urgente e atual: o uso das tecnologias na sala de aula e o papel do educador na mediação dessas ferramentas, em especial das plataformas de inteligência artificial. 

A demanda por formações que discutam essa prática surge em um contexto urgente: sete em cada dez estudantes brasileiros do Ensino Médio já recorrem a ferramentas de inteligência artificial generativa — como ChatGPT, Copilot e Gemini — para realizar pesquisas escolares. No entanto, apenas 32% dizem ter recebido orientação nas escolas sobre como utilizar essas tecnologias. Os dados são da 15ª edição da TIC Educação, pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

Diante desse cenário de rápida adesão dos estudantes, a professora e especialista em gestão e inovação, Sônia Meriguete, abordou os desafios e as possibilidades da Inteligência Artificial (IA) na prática docente. Segundo ela, as ferramentas atuais deixaram de ser apenas executores mecânicos e passaram a exercer trabalhos cognitivos complexos, como análise de dados, previsão de cenários e produção de conteúdos inéditos. Sem a devida intencionalidade pedagógica, esse uso pode gerar desafios como a dependência cognitiva, a terceirização da criatividade e a fragilidade do pensamento crítico dos alunos.

Nós não vamos ser mais rápidos do que a inteligência artificial. E nem vamos entrar em disputa com ela, porque ela vai ser muito mais rápida do que nós sempre. Nós não vamos disputar na rapidez, mas nós precisamos nos impor na estratégia e na nossa capacidade de humanizar e de criar, de sermos mais criativos, mais éticos e mais curiosos”, defendeu Meriguete.

A urgência por essa preparação pedagógica foi confirmada por dados coletados durante a própria palestra: 37,2% dos professores presentes apontaram que a falta de informação adequada sobre como usar a IA é o principal limitador em suas rotinas. Apesar do desafio, os participantes indicaram que a adaptabilidade e o uso estratégico da tecnologia são as competências mais importantes para o professor do futuro, ressaltando que atributos como empatia, acolhimento e a construção de vínculos afetivos com os estudantes jamais serão substituídos por máquinas. Para Meriguete, o papel da escola frente a essa realidade é transformar a relação do aluno com o meio digital.

Qual é o papel da escola no mundo da Inteligência artificial? É trazer essa consciência, essa reflexão para os nossos alunos. Mostrar que, ao invés de ser consumidores, eles podem protagonizar, eles podem criar. Então o papel da escola é ensinar o aluno a interpretar. Ao invés de pedir respostas, eles podem formular boas perguntas. E ao invés de consumir tecnologia, criar tecnologia com protagonismo, uso consciente, autoral e responsável”, completou a palestrante.

Com o objetivo de potencializar a atuação dos professores através da tecnologia, o analista em educação do Departamento Nacional do Sesc, Lucas Lopez, apresentou a Plataforma Sesc Sab.IA. O sistema unifica canais de comunicação — como murais, envio de bilhetes, autorizações e mensagens individuais — e centraliza a gestão pedagógica de forma inédita.

Hoje, com o uso da Inteligência Artificial mais disseminado, e com a plataforma Sab.IA estruturada, a gente consegue dar escala aos dados, oferecer para os professores um currículo mais estruturado em que eles consigam ter, em menos tempo, resultados mais objetivos e utilizar o tempo que antes eles gastavam em burocracias, para aquilo que importa, que é o contato com os estudantes”, apresentou o representante do Departamento Nacional.

Quem também demonstrou a forma como a Rede Sesc de Educação aplica as tecnologias foi o especialista em Neuropsicopedagogia Thiago Batista, em uma palestra sobre Educação Científica e Tecnológica. Por meio dos espaços maker, laboratórios de informática e de ciências, a Rede Sesc de Educação fomenta a construção criativa, transformando a teoria em prática.

Na Rede Sesc de Educação nós sempre trabalhamos com a construção criativa a partir da cultura Maker, tanto nos laboratório de informática quanto no espaço Maker, quanto no laboratório de ciências. A ideia é trazer o estudante como o pesquisador, pra que ele entenda o fenômeno, pra que ele compreenda a ciência que o circula no dia a dia. Colocar o estudante no centro desse processo é o que vai mover essa construção do conhecimento mediado por tecnologias e com um papel fundamental da participação do professor como um dos mediadores desse processo”, finalizou o especialista.

 

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