Sesc Espiríto Santo

Lideranças Femininas do Sesc-ES: Conheça a Trajetória de Mônica Velasques

Mônica Velasques, Diretora de Hospitalidade, Turismo e Lazer do Sesc-ES.

Mônica Velasques, Diretora de Hospitalidade, Turismo e Lazer do Sesc-ES.

À frente da Diretoria de Hospitalidade, Turismo e Lazer do Sesc-ES, Mônica Velasques revela: “Minha palavra de ordem sempre foi coragem”

32 anos de experiência separam a atual diretora da jovem de 20 anos que ingressou no Serviço Social do Comércio pelo setor de Credenciamento, passando pelo Turismo Social até chegar ao Lazer. Nesse período, Mônica atuou nas regionais do Sesc Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e no Espírito Santo.

Foi por meio do olhar de uma liderança feminina que ela migrou do Credenciamento para o Turismo Social. De lá para cá, acumulou ampla experiência em turismo, hotelaria, esporte, recreação e projetos sociais transversais, ocupando cargos de técnica, coordenação e gerência.

Durante essa trajetória — que inclui passagens pelo setor privado, setor público, como na Prefeitura de Niterói e no Governo do Estado do Rio — Mônica enfrentou desafios invisíveis ao ocupar espaços que, historicamente, exigem demonstrações de força. Apesar disso, sua essência humanizada e o foco em resultados permitiram equilibrar sensibilidade e firmeza, capacidades essenciais para qualquer liderança.

Como a primeira mulher a liderar esta diretoria, Mônica revela seu “segredo” em uma série sobre Lideranças Femininas produzida pelo Sesc-ES: escuta ativa, autenticidade, relações de confiança e clareza de propósito.

Confira a entrevista na íntegra:
  1. Sua trajetória profissional é fortemente ligada ao turismo e ao lazer. De onde nasceu esse interesse? Houve algum momento decisivo que a direcionou para essa área?

Eu cheguei ao Sesc em 1994. Na época, tinha 20 anos, havia concluído o antigo 2º grau e tinha minha filha, Susane, de apenas seis meses. Fiz uma prova para trabalhar no Credenciamento (que antes chamávamos de “matrícula”) e lá vi um mundo se descortinar: vi outras mulheres da minha idade atuando em diversas áreas e isso me inspirou a cursar a faculdade e novas possibilidades se abriram para mim.

Eu gostava muito de atender as pessoas. Em 1999, minha gerente recebeu uma carta do Departamento Nacional sobre a implantação do setor de Turismo Social e viu em mim o perfil desejado: “alguém que goste de gente”. Fiquei impressionada por ter sido escolhida. Costumo dizer que o Turismo Social me escolheu. Em 2000, fui convidada para assumir a coordenação de Turismo Social, gerindo 18 unidades do Sesc Rio. Tínhamos mais de 2.000 programações por ano; era um mundo de pessoas vivendo o turismo em sua essência.

  1. Ao longo da sua trajetória, você assumiu posições de liderança. Que tipo de líder busca ser e quais valores considera essenciais?

Sempre fui focada em resultados, mas meu diferencial é a essência humanizada. Acredito que todos têm algo a contribuir. Por isso, busco a escuta ativa, a autenticidade e a confiança. Entendi que uma vírgula no lugar errado pode impactar a vida das pessoas. Busco conciliar firmeza e sensibilidade, reconhecendo que, ao ocuparmos espaços historicamente marcados pela exigência de força, é essencial mantermos a empatia e o cuidado que também nos define.

  1. Estamos no mês de março, que celebra a participação feminina. Quais foram os principais desafios enfrentados como mulher em espaços de liderança?

Às vezes o desafio é invisível. Ser a primeira mulher a assumir uma diretoria em 80 anos no Regional ES é uma grande responsabilidade e me traz um olhar mais atento. É uma cobrança que me faço, pois percebo que outras mulheres se espelham em mim. Sinto isso quando elas me olham, mesmo em situações desafiadoras, o incentivo de outras mulheres me faz sentir reconhecida e acolhida. De alguma maneira, sempre me senti validada por elas, até em momentos informais, quando me paravam para dizer: “acho tão lindo ver você lá”. Mas, além desse apoio, a coragem é minha palavra de ordem. Temos que ter coragem de assumir novos desafios.

  1. Qual é a sua visão para o Sesc-ES nos próximos anos?

Vejo o Sesc-ES vivendo um momento histórico de fortalecimento e expansão. Com o maior ciclo de investimentos do Sistema Fecomércio-ES, que prevê mais de R$ 205 milhões aplicados até 2028 em modernização, inovação e ampliação das unidades, a instituição reafirma seu compromisso com a transformação social e a qualidade de vida dos trabalhadores do comércio e da sociedade capixaba. Minha visão é de um Sesc cada vez mais acessível, inovador e presente no desenvolvimento do Espírito Santo.

  1. Como você enxerga o potencial de transformação social do Sesc através do lazer?

Enxergo o lazer como uma poderosa ferramenta de transformação social. No Sesc, ele vai muito além do entretenimento: é um meio de promover bem-estar, convivência, inclusão e acesso a experiências que muitas vezes não chegariam a todos.

Quando ampliamos o acesso ao esporte, recreação, hospitalidade e turismo social, estamos contribuindo para o desenvolvimento humano e fortalecendo territórios. Acredito que o lazer tem o poder de transformar o cotidiano das pessoas, despertar novos olhares e construir uma sociedade mais saudável, integrada e com mais qualidade de vida.

  1. Que mensagem você deixaria para outras mulheres que desejam ocupar espaços de decisão?

O que eu diria para as mulheres é que elas não precisam se sentir 100% prontas para buscar seus objetivos. Muitas vezes, é no próprio desafio que descobrimos nossa força. Eu também cresço na jornada, com coragem, dedicação, aprendendo todos os dias, e seguindo forte!

E acredito muito que, quando uma mulher chega a um espaço de liderança, ela nunca chega sozinha. Ela abre portas, inspira outras mulheres e amplia caminhos para que novas trajetórias também possam transformar pessoas, organizações e a sociedade.