Sesc Espiríto Santo

Mediação transforma a visita à exposição em uma experiência de aprendizagem e diálogo

Mediadoras da exposição no Sesc Cachoeiro de Itapemirim junto com representantes do Museu da Pessoa

Exposição “Você já escutou a terra” utiliza histórias de vida e mediação para ampliar a experiência dos visitantes e fortalecer reflexões que podem ser aprofundadas em sala de aula

A exposição “Você Já Escutou a Terra?”, no Sesc Cachoeiro de Itapemirim, vai além da contemplação. Por meio da mediação, a experiência convida visitantes de todas as idades a refletirem sobre a relação entre ser humano e natureza diante das mudanças climáticas.

Com curadoria do líder indígena, Ailton Krenak, e da fundadora do Museu da Pessoa, Karen Worcman, a mostra parte de histórias de vida de pessoas de diferentes regiões do Brasil para abordar temas como eventos climáticos extremos, preservação ambiental e valorização dos saberes ancestrais. Em vez de oferecer respostas prontas, estimula perguntas, promove o diálogo e incentiva diferentes formas de interpretar esses desafios.

Nesse processo, a mediação ocupa um papel central. Antes mesmo da abertura da exposição, os mediadores participaram de uma formação que reuniu teoria e prática, aprofundando os conceitos que orientam a mostra e desenvolvendo formas para conduzir conversas com diferentes públicos. Além de conteúdos relacionados às mudanças climáticas e à sustentabilidade, a preparação incluiu atividades de escuta, compartilhamento de histórias e reflexões sobre como acolher as diferentes experiências trazidas pelos visitantes.

“Embora a exposição possa ser visitada de forma autônoma, os mediadores ampliam a experiência ao estimular perguntas, contextualizar as narrativas apresentadas e promover o diálogo entre os visitantes. A proposta não é oferecer respostas prontas, mas criar um ambiente de escuta e troca de experiências, no qual diferentes perspectivas ajudam a construir novos significados para os temas abordados”, destaca o programador de Artes Visuais do Sesc-ES, Thiago Arruda.

Essa abordagem também amplia o potencial educativo da mostra. Para as escolas, a visita se torna uma ferramenta pedagógica capaz de enriquecer os conteúdos desenvolvidos em sala de aula. As histórias apresentadas dialogam com competências e temas previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), favorecendo uma aprendizagem conectada à realidade dos estudantes.

“Questões como sustentabilidade, cidadania, meio ambiente, história e diversidade cultural atravessam a exposição e podem ser aprofundadas posteriormente em sala de aula, contribuindo para um aprendizado mais significativo e conectado à realidade”, explica a coordenadora do Centro de Educação, Memória e Pesquisa (Cemp) do Museu da Pessoa, Renata Pante, responsável pela formação da equipe de mediadores.

Segundo Renata, a exposição propõe uma mudança de perspectiva sobre a relação entre seres humanos e natureza. Em vez de colocar o homem no centro, convida o público a reconhecer a vida, em todas as suas formas, como elemento central.

“A exposição parte do princípio de que o ser humano não está no centro; quem está no centro é a vida. Como lembra Krenak, a visão predominante da sociedade ocidental coloca o homem em uma posição de superioridade em relação às demais formas de vida. A proposta da mostra é justamente questionar essa lógica e provocar uma reflexão sobre a necessidade de adotar uma perspectiva biocêntrica, reconhecendo que toda forma de vida tem valor e merece ser respeitada”, pontua Renata.

Catálogo amplia a experiência

Além da visita mediada, a exposição conta com um catálogo que amplia as possibilidades de reflexão e aprendizagem. A publicação reúne fotografias, relatos, textos curatoriais e contribuições de diferentes participantes envolvidos na construção do projeto, aprofundando os temas apresentados na mostra.

O material também registra os bastidores da exposição, desde o processo de criação até os territórios percorridos durante sua construção. Entre os conteúdos estão imagens da montagem realizada no Sesc Praia Formosa, primeira unidade a receber a mostra no Espírito Santo, além de relatos sobre ações que deram origem ao projeto, como a coleta de mais de uma tonelada de resíduos transformados em matéria-prima para as instalações artísticas.

A mostra propõe uma reflexão sobre a emergência climática a partir dos saberes tradicionais e dos modos de vida comunitários. Dessa forma, o catálogo oficial da exposição se apresenta como uma extensão da própria exposição, funcionando como ferramenta de memória, reflexão e educação.

 “Você já escutou a Terra?”

A mostra é realizada pelo Museu da Pessoa em parceria com o Sistema Fecomércio-ES, por meio do Sesc Espírito Santo.

Alinhada ao objetivo de descentralizar o acesso à cultura e ampliar a circulação de experiências artísticas de excelência, a mostra faz parte da interiorização do Programa Cultura do Sesc-ES. No estado, a exposição já recebeu visitantes de seis países e de todo os estados brasileiros, evidenciando sua relevância regional e nacional.

Com entrada gratuita, o público poderá visitar a exposição até 25 de julho no Sesc Cachoeiro de Itapemirim, de terça a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 9h às 15h. A classificação é livre e os ingressos podem ser retirados pelo site lets.events/organizer/sescgloria. Para agendamento de grupos e escolas, as inscrições devem ser feitas em eagenda.com.br/sescculturaes.

 

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