Com uma trajetória marcada pela construção coletiva, a assessora de Estratégia e Inovação atua na busca por soluções que conectem planejamento, pessoas e transformação social.

Maithê Scherrer, assessora de Estratégia e Inovação do Sesc-ES
Uma jovem mulher tem a missão de liderar estratégia e inovação em uma instituição com sólida trajetória de 80 anos. Com um olhar atento, inquieto e sempre voltado à construção de soluções, Maithê Scherrer construiu uma trajetória marcada pela capacidade de conectar pessoas, ideias e estratégias.
Publicitária de formação, percorreu caminhos diversos ao longo da carreira, passando pela comunicação, tecnologia e gestão de projetos, até encontrar na inovação o seu principal eixo de atuação. Mais do que um campo técnico, foi nesse território que consolidou sua forma de pensar: orientada à resolução de problemas, à geração de valor e à construção coletiva.
Com passagens por grandes grupos empresariais, desenvolveu uma atuação voltada à melhoria contínua, à organização de processos e ao fortalecimento de ambientes mais estratégicos e colaborativos.
Hoje, no Sesc Espírito Santo, como assessora na área de Estratégia e Inovação, sua atuação está voltada a transformar diretrizes institucionais em ações concretas, conectando planejamento, pessoas e impacto social.
Para Maithê, inovação não é apenas sobre tecnologia ou grandes transformações, mas sobre a forma como se enxerga o cotidiano, se escuta o outro, se constrói caminhos em conjunto e gera resultados, resolvendo problemas. É essa perspectiva que orienta sua atuação e reforça seu compromisso com o desenvolvimento de soluções que façam sentido, sobretudo, para as pessoas.
Confira a última entrevista da série “Lideranças Femininas” do Sesc-ES.
Você atuou em grandes grupos empresariais, com forte presença em tecnologia, inovação e melhoria contínua. Como foi a sua vinda para o Sesc-ES, uma instituição com propósito social?
Sempre fui movida por desafios. Situações complexas que exigem reorganização, melhoria e construção de novos caminhos não me paralisam, pelo contrário, me impulsionam. Chegar ao Sesc nesse cenário de transformação foi algo muito positivo.
Os primeiros momentos foram, acima de tudo, de escuta. Eu precisava entender o cenário, valorizar o que já havia sido construído, conhecer as pessoas e, principalmente, compreender por que elas faziam o que faziam. Foi um período muito rico nesse sentido.
Depois disso, veio o momento de transformar essa escuta em propostas, mas sempre com muito cuidado, respeitando o tempo de cada área e equipe. A construção foi feita de forma conjunta, passo a passo. E acredito que foi justamente por isso que conseguimos alcançar resultados de forma rápida.
Minha chegada ao Sesc foi marcada por essa vontade de ouvir, de construir em rede e de mostrar que estratégia não é algo distante. Ela só existe de verdade quando as pessoas entendem e aplicam no dia a dia.
Quando falamos de inovação, processos e gestão, a educação é, para mim, o ponto central. Foi o que me trouxe até aqui e é também o meu principal caminho para implementar mudanças: educar primeiro, ensinar e aprender junto.
A partir do momento em que as pessoas entendem, elas se conectam. E quando existe esse senso de comunidade, em torno de um objetivo, seja ele um resultado financeiro ou, como no nosso caso, um impacto social, as coisas simplesmente acontecem.
No Sesc-ES, a área de Estratégia e Inovação tem a responsabilidade de definir caminhos e orientar decisões institucionais. Como você enxerga o papel do planejamento estratégico em uma organização que atua diretamente no bem-estar e na qualidade de vida das pessoas, especificamente, dos comerciários?
No Sesc Espírito Santo, o planejamento estratégico tem um papel muito especial, porque não estamos falando apenas de metas organizacionais ou de resultados institucionais. Estamos falando de impactar diretamente a qualidade de vida das pessoas, especialmente dos trabalhadores do comércio e de suas famílias.
Para mim, o planejamento estratégico é uma ferramenta de direcionamento consciente do impacto social. Ele nos ajuda a decidir onde devemos colocar nossa energia, investimento e inteligência institucional, para gerar o maior benefício possível para a sociedade.
Quando estruturamos o planejamento, pensamos, ao mesmo tempo, em três dimensões: o valor social que entregamos, a sustentabilidade institucional e a nossa capacidade de inovar e responder às mudanças da sociedade.
Isso significa olhar para tendências em educação, saúde, cultura, assistência, hospitalidade, turismo e lazer, traduzir essas necessidades em programas, projetos e serviços que façam sentido tanto para o presente quanto para o futuro.
Assim, o planejamento estratégico deixa de ser apenas um instrumento de gestão e passa a ser, de fato, um guia para ampliar o impacto social da instituição, garantindo que nossas ações estejam conectadas às reais necessidades das pessoas.
A área de inovação ainda é predominantemente masculina em muitas organizações. Como foi para você construir sua trajetória nesse ambiente e quais aprendizados essa experiência traz para a forma como você direciona/lidera a inovação no Sesc-ES?
A área de inovação, especialmente a de tecnologia, ainda é predominantemente masculina e isso, no início, pode ser desafiador. Estar em ambientes onde, muitas vezes, você é a única mulher, exige adaptação e posicionamento.
Ao longo da minha trajetória, fui ressignificando essa experiência. Hoje, tenho muito orgulho de ser mulher e reconheço o quanto isso contribuiu para a minha atuação. Acredito que temos, de forma natural, uma visão sistêmica, e essa capacidade de enxergar o todo, conectar pontos e entender diferentes cenários foi essencial na minha trajetória profissional. É isso que me permite olhar para situações distintas dentro de uma organização e encontrar caminhos para resolver problemas de forma integrada.
Claro que enfrentei desafios, como muitas mulheres, mas isso sempre foi um fator de motivação: mostrar que, independentemente de gênero, é possível entregar um trabalho consistente e de qualidade.
Essa experiência, muitas vezes construída em cenários desafiadores, trouxe maturidade, repertório e velocidade na tomada de decisão. Além disso, fortaleceu habilidades importantes, como a conexão entre pessoas, processos e contextos.
No Sesc-ES, especialmente neste momento de reconstrução, esse conjunto de aprendizados tem feito diferença. Mais do que o conhecimento técnico que, sem dúvida, foi importante para minha chegada, o grande diferencial está na capacidade de conectar pessoas e alinhar esforços em torno de um objetivo comum.
Esse foi um aprendizado central da minha carreira: resultado não acontece sem uma boa gestão de pessoas. E acredito que essa maturidade tem contribuído diretamente para dar mais agilidade ao processo de mudança que estamos vivendo no Sesc.
Você ocupa uma posição estratégica no Sesc-ES, contribuindo para definir “para onde o Sesc está indo”, além de integrar o Comitê de Gestão Integrada do Sistema Fecomércio-ES Sesc e Senac. Como é assumir essa responsabilidade e participar de decisões que impactam o futuro da instituição e do Sistema?
É, sem dúvida, uma grande responsabilidade, mas também um privilégio. Quando penso no alcance dessas decisões, gosto de trazer para uma dimensão muito concreta: hoje, o Sesc-ES conta com cerca de 1.500 colaboradores, ou seja, estamos falando de 1.500 famílias. Isso amplia ainda mais a responsabilidade, porque cada decisão, cada estratégica, pode impactar diretamente a vida dessas pessoas.
Ao mesmo tempo, me sinto honrada e reconhecida por fazer parte desse espaço, por ter sido escolhida para contribuir com esse grupo e participar das discussões que ajudam a definir os rumos da instituição.
O Sesc tem um papel social relevante e estamos vivendo um momento importante de expansão, integração e reposicionamento institucional. A integração vem também para reposicionar não somente o Sesc, mas o Sistema Fecomércio-ES de forma geral.
No Comitê de Gestão Integrada, um dos principais aprendizados é perceber que as decisões precisam considerar o conjunto das três instituições: Sesc, Senac e Fecomércio, como cada uma pode fortalecer a outra. O movimento atual é o de integração para conectar, alinhar e potencializar o que cada uma tem de melhor, para entregar mais valor aos trabalhadores do comércio e suas famílias.
Olhando para o futuro, qual é a sua visão para o Sesc-ES em termos de posicionamento, inovação e impacto social? Que transformação você gostaria de ajudar a construir?
Acredito que o Sesc-ES tem um potencial enorme de ampliar ainda mais o seu papel como plataforma de desenvolvimento social, cultural e humano no Espírito Santo.
Essa visão passa por alguns movimentos importantes, tanto de melhoria do que já fazemos, mas também um olhar de evolução do que a sociedade precisa e o que o Sesc pode ofertar para a sociedade, para que seja melhor e mais justa.
Isso passa por fortalecer o turismo social e a hospitalidade como instrumentos de inclusão e de desenvolvimento regional; trabalhar a educação integral para o desenvolvimento do ser humano; saúde integral e preventiva; cultura e bem-estar; investir em novos formatos de atendimento e de relacionamento com o público; e consolidar essa cultura institucional baseada em estratégia, inovação e melhoria contínua, que é o que acredito que move uma instituição sólida, respeitada e relevante como o Sesc.
A transformação que eu gostaria de ajudar a construir é a de um Sesc que seja cada vez mais capaz de experimentar, aprender e evoluir, mantendo o foco no impacto positivo que gera na vida das pessoas, de forma inclusiva e sem qualquer tipo de discriminação.
Que mensagem você deixaria para outras mulheres que desejam ocupar espaços estratégicos e de decisão?
Não esperem estar completamente prontas para assumir esses lugares. Aceitem os desafios e se encorajem. Por muito tempo, por diversos fatores, talvez tenha faltado essa confiança de se reconhecer capaz.
A liderança e a tomada de decisão são construídas ao longo do caminho, com estudo, experiência, escuta e, principalmente, coragem para enfrentar os desafios.
Também acredito muito na importância de formar redes de apoio e colaboração entre mulheres. Quando uma mulher ocupa um espaço estratégico, ela não representa apenas a própria trajetória, mas também ajuda a ampliar a possibilidade para outras.
Acima de tudo, lembrar que a liderança não precisa seguir um único modelo. Cada pessoa constrói sua própria forma de liderar. Eu mesma, procuro equilibrar visão estratégica, conhecimento técnico, sensibilidade para as pessoas e compromisso com resultados e com o propósito institucional. Acredito que essa combinação transforma organizações, gera impacto na sociedade e pode encorajar outras mulheres.